Da esquerda pra direita: Mateus Machado, Leandro Carioni e Guilherme Santos (eu).

Olha aí a minha startup ganhando o prêmio de Empresa Destaque do Sinapse da Inovação de Santa Catarina de 2016. Na foto você vê, da esquerda pra direita: Mateus Machado, Leandro Carioni e Guilherme Santos (eu).

Coisa linda, né? Nossa startup, a Crush Design, ganhou 90 mil do governo do Estado de Santa Catarina, foi escolhida como uma das destaques, entre 100 outras startups participantes e premiadas neste programa e, ainda assim, depois de alguns meses eu sai deste projeto pra trabalhar em casa, escrevendo.

Vê se pode!? Mereço uma surra, né!?

Bom…calma… também não é assim… vou explicar porque e como tudo aconteceu.

Como a Crush Design surgiu

Em 2009 eu era estagiário da Incubadora de Empresas da Unisul, a CRIE. Foi lá que conheci o Mateus Machado, que criava móveis inovadores na sua empresa, a CV Design. No fim de 2015 Mateus me chama pra uma conversa e apresenta uma ideia sensacional, inovadora, nunca antes aplicada no Brasil: compartilhar os móveis que ele criava, em formato digital, pra que qualquer pessoa no mundo pudesse baixar e produzir em sua casa.

Eu comprei a ideia e aí começou o Projeto CRUSH. Com a alcunha de projeto, pois ainda não sabíamos onde chegaríamos, as ideias precisavam se estruturar. O nome (uma das poucas ideias que eu tive, já que a genialidade toda nesse projeto vinha do Mateus), é uma sigla que queria dizer: CR – Create, U – Upgrade e SH – Share. Criar, melhorar e compartilhar. E também porque crush em inglês significa quebrar, romper. E isso era tudo que a marca representava. Queríamos quebrar conceitos, mudar o mercado e, principalmente, ser uma empresa que viria democratizar o design de móveis.

As flores

Vários produtos prontos, nome criado, ideia elaborada, modelo de negócios definido. Agora era hora de alçar voos maiores. Entendemos que precisávamos de ajuda. Só o Batman e Robin não dariam conta. Precisávamos criar uma Liga da Justiça pra poder ter mais força, pensar melhor, trabalhar mais e alcançar nossos objetivos.

Aí o Mateus convidou pra integrar o projeto uma ótima fotógrafa: Laís Schulz. Com ela veio seu marido, um tal de Matheus de Souza, que hoje é um Top Voice do Linkedin e excelente escritor, com diversos textos de sucesso pela internet.

Resumindo a história: Trabalhamos muito, crescemos e nos aplicamos para o Sinapse da Inovação de Santa Catarina. Dentre centenas de empresas de todo o estado, tivemos a honra de receber um prêmio de aproximadamente 90 mil reais e mais mentoria, curso e todo suporte do governo estadual.

Participamos de outros eventos, concursos, mentorias. Um monte de coisa legal que nos ajudou a crescer como empresa e, principalmente, como profissionais.

Os espinhos

Mas, como nem tudo são flores, montar uma startup tem seus desafios. Primeiro, é bom deixar claro que os 90 mil reais recebidos não vinham em uma mala de dinheiro que a gente poderia usar como quiser. Existiam várias regras de uso e de prestação de contas. Nada mais justo!

Mas com isso também vinham as burocracias e dificuldades criadas pelo governo brasileiro. No fim, nem usamos todo o dinheiro recebido e ele voltou para os cofres públicos. Conseguimos criar site, aplicar e criar novos produtos e conseguimos contratar dois bolsistas para nos ajudar nessa empreitada. O dinheiro foi bem usado e, sem dúvidas, não foi jogado fora.

No entanto, mesmo com tudo pra dar certo, com uma ideia sensacional que vinha ganhando espaço pela Europa, a Crush Design foi se desfazendo. Matheus e Laís já estavam ganhando o mundo, começando a viver como nômades digitais. Mateus Machado tinha acabado de ser pai e, acreditem, fraldas são caras demais! Não dava pra continuar tirando do bolso todo o valor que precisaríamos pra manter essa startup e toda a sua operação.

E por que eu deixei a Crush Design?

Apesar de não estar mais nesse projeto, sinto que nunca deixei a Crush. Ela ainda permanece viva dentro de mim. Tudo que vivi, aprendi e criei vai continuar existindo.

Talvez a pergunta certa seja: por que eu foquei em outro projeto e não na Crush?

A resposta talvez remeta a um dos primeiros eventos que nós participamos como startup: Campus Party 2016.

Enquanto eu estava lá, conversando com várias pessoas que visitavam nosso stand pra conhecer nossas ideias e produtos, um cara me perguntou: Qual teu sonho?

Eu não entendi. Congelei. Sonho? Não sei. Nunca tinha pensado nisso. Meu sonho era me formar publicitário, mas eu já tinha feito isso. Tinha o sonho de ser redator em uma agência que conheci no meu primeiro dia de aula na faculdade. Realizei este sonho também. Mas e agora, meus sonhos tinham acabado?

Ele se virou e perguntou para o Mateus Machado: Qual teu sonho?

E ele prontamente respondeu: espalhar o design que eu crio, meus produtos, pelo mundo inteiro.

Aquilo reverberou por algum tempo na minha mente. Hoje eu entendo que o meu sonho sempre foi compartilhar conhecimento, escrever, criar conteúdo que possa levar a uma mudança, um crescimento.

A Crush hibernou, mas o Mateus continuou usando toda a estrutura, produtos e as ideias desenvolvidas na Crush em seu novo negócio, a Print Mobi, que cria móveis com peças que são fabricadas em impressora 3D.

E ao que tudo indica, em breve poderemos ter acesso a móveis criados totalmente em impressão 3D. Assim o Mateus vai realizar o sonho dele de ver suas criações espalhadas pelo mundo.

E talvez eu também consiga realizar meu sonho de impactar e transformar vidas contando as minhas histórias, como essa, de quando eu deixei uma startup que tinha (e tem) tudo pra conquistar o mundo, pra realizar o meu sonho de conquistar o mundo com minhas palavras.

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